terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Comunicado de Imprensa: Reduzir a desigualdade energética: Inovar um mercado sustentável em contextos de deslocação

 

Reduzir a desigualdade energética: Inovar um mercado sustentável em contextos de deslocação

 

 

 

 

Maputo, 5 Dezembro 2023 – A Organização Internacional para as Migrações (OIM), em parceria com a NORCAP e com o apoio da Innovation Norway, embarcou numa iniciativa inovadora para estabelecer um mercado sustentável de energia limpa em ambientes de deslocamento em Moçambique. Este projeto transformador procura abordar as barreiras que impedem o acesso a serviços energéticos essenciais para as populações deslocadas, ao mesmo tempo que aborda os obstáculos enfrentados pelos actores privados ao entrar neste mercado negligenciado. 

"Normalmente, demoro uma hora para ir ao mato, apanhar lenha e voltar", explica Francisca, uma deslocada interna na província de Sofala. 

 

Francisca descreve as dificuldades com que se depara quando vai buscar lenha para cozinhar. Foto: Amanda Nero / OIM 2023 

 

Em zonas onde as pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, a falta de acesso à eletricidade e a alternativas ao combustível tradicional para cozinhar afeta significativamente a vida das pessoas deslocadas internamente (PDI), levando a um aumento das dificuldades e dos riscos de violência baseada no género. A escassez de combustível tradicional para cozinhar obriga as mulheres a percorrer longas distâncias para recolher lenha, aumentando os riscos de agressão. Além disso, a iluminação inadequada das zonas onde vivem os deslocados internos faz com que as pessoas se sintam inseguras à noite para passear e utilizar os serviços comunitários, como os mercados e as latrinas comunitárias. Esta situação representa uma ameaça ao ecossistema ambiental e pode também levar a relações tensas com as comunidades acolhedoras devido a uma maior concorrência por recursos limitados e à perceção de uma sobrecarga das infra-estruturas e serviços locais. 

Apesar de o sector humanitário reconhecer que o acesso à energia sustentável é uma prioridade, de acordo com o Relatório sobre o Estado do Sector da Energia Humanitária (2022), cerca de 94% das pessoas deslocadas nos campos a nível mundial ainda não têm acesso à eletricidade e 81% dependem da lenha e do carvão para cozinhar. Além disso, os produtos e serviços básicos de energia são frequentemente fornecidos por meio de assistência humanitária, perturbando potencialmente as economias locais.  

 

Mulher prepara uma refeição para a sua família utilizando lenha no reassentamento de Savane. Foto: Amanda Nero / OIM 2023 

 

As barreiras económicas têm historicamente impedido as populações deslocadas e as comunidades de acolhimento de acederem aos serviços energéticos necessários e os riscos percebidos têm desencorajado os actores privados de entrar neste mercado e de fornecer soluções viáveis. Esta iniciativa procura criar um ambiente propício que permita a todas as partes interessadas participar activamente na construção de um mercado sustentável para soluções energéticas mais limpas. 

Em 2022, o projeto iniciou a sua fase piloto, que envolveu os utilizadores finais através de avaliações energéticas, de mercado e financeiras. As oficinas de co-design com deslocados internos reuniram ideias e aspirações, resultando em soluções personalizadas para os cinco locais de reassentamento de deslocados internos na província de Sofala, Moçambique, abrigando cerca de 10.000 pessoas. Para melhor enquadrar o projeto, a OIM organizou duas sessões de Diálogo de Mercado online com diferentes partes interessadas, incluindo o sector privado, para uma troca aberta de ideias e identificação de desafios recorrentes no sector de energia. Os conhecimentos adquiridos nestas sessões serviram de base para a elaboração de um concurso de propostas para parcerias inovadoras, convidando potenciais parceiros a apresentar propostas que abordassem o desafio multidimensional do acesso à energia nos locais de reassentamento.  

 

Encontro inicial da comunidade envolvendo a OIM, a C-Quest Capital e um consórcio que inclui a Green Light Africa, a Mercy Corps e a Epsilon Energia Solar para apresentar o projeto no local de reassentamento de Muda Nunes. 

 

"O compromisso da OIM com soluções duradouras para as populações deslocadas tem uma forte representação neste projeto. Ao abordar a questão do acesso à energia limpa, lançamos as bases para a resiliência sustentável, o empoderamento e um futuro mais brilhante e seguro." Disse a Dra. Laura Tomm-Bonde, Chefe de Missão da OIM em Moçambique. 

 

Como resultado deste concurso, a OIM fez uma parceria com a C-Quest Capital e um consórcio composto pela Green Light Africa, Mercy Corps e Epsilon Energia Solar. A C-Quest Capital fornecerá formações para a construção e manutenção de fogões melhorados, combinadas com um kit JetFlame concebido para melhorar a combustão dos combustíveis para cozinhar. Enquanto isso, o consórcio introduzirá sistemas solares domésticos nos mercados e estabelecerá um fundo de subsídio para o uso produtivo de energia. O projeto também incentivará as comunidades a investirem em Associações de Poupança e Empréstimo da Aldeia (VSLAs), que são soluções financeiras baseadas na comunidade que fornecerão os meios financeiros necessários para as famílias investirem em sistemas solares domésticos. 

 

Membros da comunidade constroem tijolos para criar fogões de cozinha.

 

Além disso, a OIM e a C-Quest Capital estão a explorar a possibilidade de desenvolver indicadores de impacto para comprovar a existência de créditos de carbono de elevada integridade e impacto. O objetivo é potencialmente comercializar esses créditos como um catalisador para a adoção de soluções de energia sustentável, promovendo um futuro mais verde.  

A OIM prevê o desenvolvimento de um modelo de entrega global para as melhores práticas, com o objetivo final de ampliar e replicar esta iniciativa no futuro. Esta abordagem inovadora tem o potencial de revolucionar o acesso ao financiamento, à tecnologia e ao reforço das capacidades do sector privado e dos utilizadores finais das soluções energéticas sustentáveis. Ao quebrar barreiras, inspirar parcerias e capacitar as comunidades, podemos inaugurar coletivamente um futuro mais verde e sustentável. 

 

"O acesso a energia mais limpa significa acesso a oportunidades e a uma vida mais saudável. Com um número recorde de deslocações em todo o mundo, temos de ser mais céleres e eficientes a levar energia limpa às comunidades afectadas. Os recursos e a dinâmica necessários para satisfazer as necessidades energéticas a nível mundial de uma forma ecológica só são possíveis através da criação de novas abordagens e do trabalho em parceria com o sector privado, a sociedade civil e o mundo académico", afirma Eva Mach, Responsável pela Unidade de Sustentabilidade Ambiental da OIM. 

 

Lambo Jose, C-Quest Capital Country in Mozambique explains the project to the community.

 

Lambo Jose, Country Manager da C-Quest Capital em Moçambique, explica: “O ‘fogão poupa lenha’ ou fogão a lenha foi projetado para uso em áreas desmatadas. Em certas comunidades onde vamos trabalhar, a escassez de árvores obriga os membros da comunidade, especialmente as mulheres, a fazer longas viagens para recolher lenha. Além de reduzir drasticamente a quantidade de madeira necessária para cozinhar, outra vantagem da ‘fogao poupa lenha’ é sua construção usando materiais disponíveis localmente, como argila, areia e adubo.”  

 

Veja o vídeo para saber mais:

 

 

 

Para mais informações, entre em contato com: 

OIM Moçambique: 

Anais Matthey-Jonod  - amatthey@iom.int 

Amanda Nero – anero@iom.int 

Unidade de Sustentabilidade Ambiental da OIM: 

greening@iom.int 

 

      

 

 

 

Bridging the Energy Divide: Innovating a Sustainable Marketplace in Displacement Settings 

 

 

 

 

Maputo, 05 December 2023 — The International Organization for Migration (IOM) in partnership with NORCAP and with support from Innovation Norway, have embarked on a groundbreaking initiative to establish a sustainable market for clean energy in displacement settings in Mozambique. This transformative project seeks to address the barriers hindering access to essential energy services for displaced populations while also tackling obstacles faced by private actors in entering this overlooked market. 

 

“I usually take one hour to go to the bush, collect firewood and come back,” explains Francisca, an Internally Displaced Person in Sofala Province. 

 

Francisca is describing the difficulties she encounters when gathering firewood for cooking. Photo: Amanda Nero / IOM 2023 

 

In areas where people have been forced to leave their homes, the lack of access to electricity and to alternative to traditional cooking fuel, significantly affects the lives of internally displaced persons (IDPs), leading to increased hardship and risks of gender-based violence. The scarcity of traditional cooking fuel forces women to travel long distances to collect firewood, increasing the risks of assault. In addition, inadequate lighting around the area where IDPs live, makes people feel unsafe at night to walk around and use community services, such as markets and communal latrines. This situation poses a threat to the environmental ecosystem and can also lead to strained relationships with host communities due to increased competition for limited resources and a perceived burden on local infrastructure and services. 

Despite the humanitarian sector's recognition of sustainable energy access as a priority, according to the State of the Humanitarian Energy Sector Report (2022) approximately 94% of displaced individuals in camps worldwide still lack access to electricity, and 81% rely on firewood and charcoal for cooking. Additionally, basic energy products and services are often provided through humanitarian assistance, potentially disrupting local economies.

 

Woman preparing a meal for her family using firewood in Savane resettlement. Photo: Amanda Nero / IOM 2023 

 

Economic barriers have historically hindered displaced populations and host communities from accessing the necessary energy services and perceived risks have discouraged private actors from entering this market and providing viable solutions. This initiative strives to create an enabling environment that allows all stakeholders to actively participate in building a sustainable marketplace for cleaner energy solutions. 

In 2022, the project initiated its pilot phase, engaging end users through energy, market, and financial assessments. Co-design workshops with IDPs gathered insights and aspirations, resulting in tailored solutions for the five IDP resettlement sites in Sofala Province, Mozambique, housing around 10,000 individuals. To further inform the project, IOM organized two online Market Dialogue sessions with different stakeholders, including the private sector, for an open exchange of ideas and identification of recurrent challenges in the energy sector. Insights from these sessions formed the basis for a call for proposals for innovative partnerships, inviting potential partners to submit proposals addressing the multi-dimensional challenge of energy access in the resettlement sites.  

 

The initial community gathering involving IOM, C-Quest Capital and a consortium comprising Green Light Africa, Mercy Corps, and Epsilon Energia Solar to present the project at the Muda Nunes resettlement site.

 

"IOM’s commitment to durable solutions for displaced populations finds a powerful expression in this project. By addressing the issue of clean energy access, we lay the foundation for sustainable resilience, empowerment, and a brighter and more secure future." Said Dr. Laura Tomm-Bonde, IOM Chief of Mission in Mozambique.

 

As a result of this call, IOM has partnered with C-Quest Capital and a consortium composed of Green Light Africa, Mercy Corps, and Epsilon Energia Solar. C-Quest Capital will provide training for constructing and maintaining improved cookstoves, combined with a JetFlame kit designed to enhance cooking fuel combustion. Meanwhile, the consortium will introduce solar home systems in the markets and establish a subsidy fund for productive use of energy. The project will also incentivize communities to invest in Village Saving and Loan Associations (VSLAs) which are community based financial solutions that will provide the necessary financial means for families to invest in solar home systems. 

 

Community members construct bricks to create cookstoves. 

 

Furthermore, IOM and C-Quest Capital are exploring the development of impact metrics to evidence high-integrity, high-impact carbon credits. The intent is to potentially market these credits as a catalyst for the adoption of sustainable energy solutions, fostering a greener future.  

IOM envisions developing a global delivery model for best practices, with the ultimate aim of scaling up and replicating this initiative in the future. This innovative approach has the potential to revolutionize access to financing, technology, and capacity building for the private sector and end-users of sustainable energy solutions. By breaking down barriers, inspiring partnerships, and empowering communities, we can collectively usher in a greener, more sustainable future. 

 

"Access to cleaner energy means access to opportunities and a healthier life. With record-high displacement around the world, we need to be faster and more efficient in bringing clean energy to affected communities. The resources and speed required to meet energy needs globally in a climate-friendly manner is only possible by building new approaches and working in partnership with the private sector, civil society, and academia." says Eva Mach, Head of the Environmental Sustainability Unit at IOM. 

 

Lambo Jose, representante da C-Quest Capital em Moçambique, explica o projeto à comunidade.

 

Lambo Jose, C-Quest Capital Country Manager for Mozambique, explains: “The ‘fogao poupa lenha’ or firewood saver stove was designed for use in deforested areas. In certain communities where we will work, the scarcity of trees forces the community members, especially women, to go on long journeys to gather firewood. Apart from reducing drastically the quantity of wood necessary to cook, another advantage of the ‘fogao poupa lenha’ is its construction using locally available materials such as clay, sand, and manure.”  

 

Watch the video to learn more:

 

 

 

For more information, please contact: 

IOM Mozambique: 

Anais Matthey-Jonod  - amatthey@iom.int 

Amanda Nero – anero@iom.int 

IOM Environmental Sustainability Unit: 

greening@iom.int  

 

 

     

 

 

 

 

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Comunicado de Imprensa: Quebrando o ciclo da violência baseada no género em Moçambique

 

Quebrando o ciclo da violência baseada no género em Moçambique 

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4 Dezembro 2023 — No centro do distrito de Moamba, as consequências do desemprego de Higino* e a sua consequente dependência ao álcool tornaram-se um catalisador para o aumento da violência doméstica. Cecília*, a sua parceira, minimizava frequentemente a gravidade do abuso, atribuindo-o a lapsos momentâneos. A sua esperança baseava-se na crença de que, assim que Higino encontrasse um emprego, a tempestade na sua casa iria diminuir. 

Enquanto o mundo celebra o 32.º aniversário dos 16 Dias de Ativismo contra a Violência Baseada no Género, a verdade inquietante continua a ser que quase uma em cada três mulheres em todo o mundo foi vítima de violência física e/ou sexual. Na complexa realidade de Moçambique, onde o conflito e a deslocação persistem, as mulheres deslocadas internamente estão particularmente expostas ao risco de violência baseada no género. O conflito armado e os perigos naturais no norte de Moçambique forçaram mais de 668 mil pessoas a fugir das suas casas, amplificando os riscos de Violência Baseada no Género (VBG) para mulheres e raparigas. 

O comportamento controlador de Higino estendia-se a proibir Cecília a aceder aos serviços do centro de saúde comunitário e a recusar-se ao uso de contraceptivos. No entanto, depois de um episódio particularmente angustiante, Cecília encontrou coragem para procurar ajuda. Foi então que Vânia, uma agente de mudança da OIM, entrou nas suas vidas. 

Em situações de crise, mulheres e meninas enfrentam riscos elevados de violência, abuso e exploração, incluindo sequestro, exploração sexual, casamento forçado e tráfico. Estes perigos surgem durante os ataques ou resultam de mecanismos de resposta negativos adoptados após a deslocação devido à pobreza, à limitação dos meios de subsistência e da falta de oportunidades de educação. 

“Na nossa comunidade, existe violência. Os homens agridem as mulheres e as raparigas de quinze anos têm bebés. Até há uma rapariga que ficou grávida do seu professor da escola. Não está nada bem. Isto é um problema, não é?", questiona Suna Tuacale, líder comunitária no norte de Moçambique e participante dos Conselhos de Segurança Comunitária, uma plataforma apoiada pela OIM para a comunidade e os agentes da lei abordarem e resolverem várias questões, incluindo a VBG.  

Desde janeiro de 2023, a OIM alcançou mais de 40.000 mulheres e raparigas no norte de Moçambique, proporcionando encaminhamento imediato para serviços especializados, aconselhamento, acolhimento de emergência, transporte de emergência e apoio aos meios de subsistência. Este esforço não se limita à assistência; é um testemunho do empenho da OIM em quebrar o ciclo da violência e em proporcionar uma réstia de esperança em circunstâncias difíceis. 

 

As brigadas móveis de saúde desempenham um papel crucial ao alcançar mulheres em diversas localidades, por vezes isoladas. As brigadas móveis também são funcionais para sensibilizar as comunidades sobre os tipos de violência de gênero e outros serviços disponíveis para sobreviventes. Foto: Shanice Ubisse / OIM 2021

 

Vania, a agente de mudança que faz parte do projeto "Know no borders" da OIM, desempenhou um papel fundamental na vida de Cecilia e Higino. O projeto procura melhorar a saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes e jovens migrantes e não migrantes, das trabalhadoras do sexo e de outras pessoas que vivem em comunidades afetadas pela migração. Munida de paciência e empatia, Vania prestou apoio psicossocial à medida que abordavam a violência baseada no género (VBG), participando em visitas domiciliárias, sessões de aconselhamento e debates educativos. Confrontados com o desafio da sua saúde sexual, o casal descobriu que ambos eram seropositivos durante uma visita ao centro de saúde comunitário, o que levou a um compromisso partilhado de se submeterem a terapia artística e aconselhamento. Desde o contacto com Vânia, Cecília e Higino sentiram uma mudança na dinâmica das suas relações, substituindo a violência física pelo apoio mútuo. As visitas domiciliárias contínuas de Vania garantem a observância da medicação e a integração a uma rede de apoio mais ampla.  

A OIM adopta uma abordagem multissectorial para satisfazer as diversas necessidades das pessoas em risco de serem vítimas de VBG. Desde a saúde mental e o apoio psicossocial até ao alojamento, serviços de saúde e iniciativas de água, saneamento e higiene (WASH), a OIM assegura uma resposta abrangente. Além disso, as actividades comunitárias são estrategicamente concebidas para desafiar as normas de género nocivas e as construções sociais, com vista a uma mudança de comportamento duradoura.

 

A OIM realiza sessões teatrais para sensibilizar a comunidade e desafiar normas prejudiciais relacionadas à Violência Baseada no Gênero. Foto: Amanda Nero / OIM 2023

 

Um bom exemplo do compromisso da OIM e dos seus parceiros para com a criação de espaços seguros e inclusivos em contextos de deslocação é o Projeto de Participação das Mulheres (WPP), no âmbito do grupo global de Coordenação e Gestão de Centros de Acomodação, que está a impulsionar iniciativas para reduzir os riscos de VBG nos locais de deslocação. Desde a capacitação das mulheres através de papéis de liderança e da tomada de decisões em comités de mulheres até à sensibilização dos homens através de actividades de sensibilização, a abordagem multifacetada aborda as necessidades específicas das mulheres. Iniciativas como o Programa de Criação de Meios de Subsistência, o reforço da capacidade de alfabetização e a jardinagem comunitária permitem a capacitação, educação e coesão comunitária. É um esforço abrangente para redefinir a narrativa, garantindo que o deslocamento não signifique apenas um problema a ser resolvido, mas uma oportunidade de crescimento e empoderamento. 

 

 

Os ativistas da OIM se envolvem ativamente com as comunidades como parte dos 16 Dias Contra a Violência de Gênero. Foto: Maxwell Raiva / OIM 2023

 

“Os desafios vão além das experiências individuais. Migrantes em situações vulneráveis, viajando sem documentação adequada, correm um risco mais elevado de vitimização por VBG. O receio de consequências, como a deportação ou a detenção, pode impedir a denúncia de casos de VBG, abuso e exploração. Estes indivíduos enfrentam desequilíbrios de poder em todas as fases do seu percurso. Em alguns casos, as mulheres podem até entrar em casamentos (muitas vezes forçados) para proteção”, explica Giulia Tshilumba, Oficial do Programa de Proteção da OIM. 

 

O compromisso da OIM vai além da assistência imediata. A Organização trabalha activamente para reforçar a capacidade das contrapartes governamentais na resposta à VBG. Colaborando com o governo, as Nações Unidas, organizações internacionais e não-governamentais, sector privado e parceiros de desenvolvimento, a OIM aborda todos os aspectos da VBG, desde a mitigação de riscos até o apoio aos sobreviventes e o tratamento das causas e condições que perpetuam a VBG.  

 

A OIM realiza sessões teatrais para aumentar a conscientização da comunidade e desafiar normas prejudiciais relacionadas à Violência Baseada no Gênero. Foto: Amanda Nero / OIM 2023

 

Durante os 16 Dias de Ativismo, devemos reconhecer a urgência de investir nos esforços de prevenção, mitigação e resposta à VBG. A abordagem global da OIM não só responde às necessidades imediatas dos sobreviventes, como também capacita as mulheres e raparigas deslocadas para os processos de tomada de decisão, promovendo soluções sustentáveis para as comunidades afectadas. Juntos, vamos construir um futuro livre da violência baseada no género, garantindo que as vozes dos migrantes são ouvidas e os seus direitos protegidos. Iniciando e participando em conversas sobre a violência baseada no género. Incentivando o diálogo aberto nas comunidades, nos locais de trabalho e nas redes sociais para quebrar o silêncio em torno destas questões.

 

*Os nomes foram alterados para efeitos de proteção da privacidade dos delocados. 

Para mais informações, queira contactar: 
Giulia TSHILUMBA, OIM Moçambique
gtshilumba@iom.int

 

   

 

 

 

Breaking the Cycle of Gender-Based Violence in Mozambique

 

 

 

04 December 2023 — In the heart of Moamba district, Higino's* descent into unemployment and subsequent reliance on alcohol became a catalyst for an increase in domestic violence. Cecilia*, his partner, often downplayed the severity of the abuse, attributing it to momentary lapses. Her hope clung to the belief that once Higino found employment, the storm within their home would subside. 

As the world observes the 32nd anniversary of the 16 Days of Activism against Gender-based Violence, the unsettling truth remains that nearly one in three women globally has endured physical and/or sexual violence. In the complex landscape of Mozambique, where conflict and displacement persist, internally displaced women are particularly at risk of gender-based violence. The armed conflict and natural hazards in Northern Mozambique have forced over 668 thousand individuals to flee their homes, amplifying the risks of Gender-Based Violence (GBV) for women and girls. 

Higino's controlling behavior extended to forbidding Cecilia from accessing the community health center and refusing to use contraceptives. However, after a particularly harrowing episode, Cecilia found the courage to seek help. This is when Vania, an IOM’s change agent entered their lives. 

In crises, women and girls face heightened risks of violence, abuse, and exploitation, including abduction, sexual exploitation, forced marriage, and trafficking. These dangers arise during attacks or result from negative coping mechanisms adopted after displacement due to poverty, limited livelihood, and educational opportunities. 

“In our community, there's violence. Men are hurting women, and girls as young as fifteen are having babies. There's even a girl who got pregnant by her school teacher. It's just not okay. This is a problem, isn’t it?," inquires Suna Tuacale, a community leader in northern Mozambique and a participant of Community Safety Councils, a platform supported by IOM for the community and law enforcement officers to address and resolve various issues, including GBV.  

Since January 2023, IOM has reached over 40,000 women and girls in Northern Mozambique, offering immediate referrals to specialized services, counseling, emergency shelter, emergency transportation, and livelihood support. This effort is not merely about assistance; it's a testament to IOM's commitment to breaking the cycle of violence and providing a glimmer of hope in difficult circumstances. 

 

Mobile health brigades play a crucial role in reaching women in various, sometimes isolated, locations. Mobile brigades are also functional to raise awareness with the communities on types of GBV and other available services for survivors.  Photo: Shanice Ubisse / IOM 2021

 

Vania, the change agent part of IOM’s “Know no borders” project played a pivotal role in Cecilia and Higino's lives. The project seeks to improve the sexual and reproductive health of both migrant and non-migrant adolescents and young people, sex workers and others who live in migration-affected communities. Armed with patience and empathy, Vania provided psychosocial support as they addressed gender-based violence (GBV), engaging in home visits, counseling sessions, and educational discussions. Confronting the challenge of their sexual health, the couple discovered they were both HIV+ during a visit to the community health center, leading to a shared commitment to undergo art therapy and counseling. Since their connection with Vania, Cecilia and Higino have experienced a shift in their relationship dynamics, replacing physical violence with mutual support. Vania's ongoing home visits ensure adherence to their medication and connection to a broader support network.  

IOM adopts a multi-sectorial approach to address the diverse needs of those at risk of experiencing GBV. From mental health and psychosocial support to shelter, health services and Water, Sanitation, and Hygiene (WASH) initiatives, IOM ensures a comprehensive response. Additionally, community-based activities are strategically designed to challenge harmful gender norms and societal constructs, aiming for lasting behavioral change.

 

IOM conducts theater sessions to raise community awareness and challenge harmful norms about Gender-Based Violence. Photo: Amanda Nero / IOM 2023

 

A good example of IOM and partners commitment to creating safe and inclusive spaces within displacement settings is the Women Participation Project (WPP), under the global Camp Coordination and Camp Management cluster, which is driving initiatives to curb GBV risks in displacement sites. From empowering women through leadership roles and decision-making in women's committees to fostering awareness among men through sensitization activities, the multifaceted approach addresses the specific needs of women. Initiatives like the Livelihood Creation Program, literacy capacity building, and community gardening are weaving a tapestry of empowerment, education, and community cohesion. It's a comprehensive effort to redefine the narrative, ensuring that displacement doesn't mean compromise but an opportunity for growth and empowerment.

 

 

IOM activists actively engage with communities as part of the 16 Days Against Gender-Based Violence. Photo: IOM 2023

 

“The challenges extend beyond individual experiences. Migrants in vulnerable situations, traveling without proper documentation, are at a heightened risk of GBV victimization. Fear of consequences, such as deportation or detention, may hinder reporting instances of GBV, abuse, and exploitation. These individuals face power imbalances at every stage of their journey. In some cases, women may even enter (often forced) marriages for protection,” explains Giulia Tshilumba, IOM’s Protection Programme Officer. 

 

IOM's commitment goes beyond immediate assistance. The organization actively works to strengthen the capacity of government counterparts on GBV response. Collaborating with governments, the United Nations, international and non-governmental organizations, the private sector, and development partners, IOM addresses all aspects of GBV, from mitigating risks, to supporting survivors and addressing the root causes and conditions that perpetuate GBV.   

 

IOM conducts theater sessions to raise community awareness and challenge harmful norms about Gender-Based Violence. Photo: Amanda Nero / IOM 2023 

 

As we delve into the 16 Days of Activism, let's acknowledge the urgency of investing in efforts to prevent, mitigate, and respond to GBV. IOM's comprehensive approach not only addresses the immediate needs of survivors but also empowers displaced women and girls in decision-making processes fostering sustainable solutions for affected communities. Together, let's build a future free from gender-based violence, ensuring that the voices of migrants are heard, and their rights protected. Initiate and participate in conversations about gender-based violence. Encourage open dialogue within communities, workplaces, and online spaces to break the silence surrounding these issues.

 

*Names have been changed to protect privacy 

For more information please contact:

Giulia TSHILUMBA, IOM Mozambique,
 gtshilumba@iom.int

 

 

   

 

 

 

 

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