Jornalista usa princípio de protecção de fontes para incentivar denúncias de casos de violência
Zambézia, Moçambique, 17 de Dezembro de 2015 – ''Para contar boa história, é preciso ter muita e boa informação. E isto pressupõe abertura da fonte'', diz Arjum Bissueque, jornalista voluntário da rádio comunitária de Ile, na província da Zambézia, que hoje sente ter dado passos qualitativos na produção de notícias sobre género. ''Quanto maior documentarmos informações sobre violência e género, maior é a possibilidade de reduzir casos subsequentes de violência baseada no género'', disse. Bissueque aprendeu o princípio de protecção de fontes na formação básica em género e produção radiofónica, que ocorreu na província de Nampula. Ele afirmou que as técnicas de entrevista e protecção da identidade dos envolvidos em casos de Violência Baseada no Género estão a dar mais abertura para denúncia das situações de violência doméstica, assédio sexual e casamentos prematuros. "As vítimas abrem-se mais e não têm tanto receio de assumir o que passam nos seus lares", afirma. Como exemplo de jornalista engajado na consciencialização da comunidade para redução dos casamentos prematuros através da rádio, Bissueque produziu várias reportagens a partir de denúncias. Os casos envolviam assédio e casamentos prematuros no contexto escolar e familiar. O caso mais lamentável, segundo o jornalista, foi de um professor que assediava sexualmente a sua aluna, e que, depois, os pais da aluna a obrigaram a se casar com o assediador, afigurando assim num casamento prematuro. "Nesta reportagem, a rapariga ficou grávida do seu professor e, com as técnicas aprendidas no curso, ao entrevistá-la, ela assumiu o caso", revelou. O Programa Para Fortalecimento da Mídia é financiado pelo Governo dos Estados Unidos da América, através da sua Agência para o Desenvolvimento Internacional, e implementado pela IREX.
Arjum Bissueque é o segundo à direita, que juntamente com colegas editam uma reportagem no adobe audition
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